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terça-feira, setembro 21, 2010 

Discurso do Presidente Lula, durante o Culto pelos 150 anos da Igreja Presbiteriana do Brasil


Discurso do Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante ato cívico religioso pelo sesquicentenário da Igreja Presbiteriana do Brasil, realizado na Catedral Presbiteriana no Rio de Janeiro, no dia 12 de agosto de 2009:

"Meu caro companheiro e amigo Sérgio Cabral, governador do estado do Rio de Janeiro,

Reverendo Roberto Brasileiro Silva, presidente da Igreja Presbiteriana do Brasil, na pessoa de quem eu saúdo os pastores missionários e membros da Igreja,

Meu caro amigo Luiz Fernando Pezão, vice-governador do Rio de Janeiro,

Senador Marcelo Crivella,

Deputados federais Arolde de Oliveira, Bispo Manoel Ferreira e Leonardo Quintão,

Meu querido amigo Eduardo Paes, prefeito da cidade do Rio de Janeiro,

Secretária Benedita da Silva,

Secretários do estado aqui presentes,

Vereadores,

Prefeitos,

Companheiros da Igreja Presbiteriana,

Companheiros da Imprensa,

É com muita honra e com o coração cheio de alegria que me junto a todos os senhores e as senhoras nesta data em que celebramos os 150 anos da Igreja Presbiteriana do Brasil.

A determinação, o trabalho e a fé de vocês – e de todos os que os antecederam – transformaram esta Igreja em uma das mais importantes e tradicionais instituições religiosas de nosso país. E é impossível, hoje, falar das práticas evangélicas no Brasil sem destacar a importância histórica da Igreja Presbiteriana.

Quando o jovem reverendo Ashbel Green Simonton chegou ao Rio de Janeiro em 1859, ele trazia consigo uma profunda fé cristã e a missão de organizar congregações religiosas nos moldes daquelas que já existiam nos Estados Unidos, sua terra natal.

A semente lançada pelo ilustre missionário encontrou solo fértil em meio ao nosso povo. Rapidamente, a Igreja Presbiteriana ganhou adeptos entre nós. E, sem perder os laços históricos com o protestantismo europeu e norte-americano, tornou-se uma religião de brasileiros, que passaram a administrar a instituição, além de administrar os cultos.

A institucionalidade conquistada ainda no tempo do Império se consolidou neste século e meio de existência, e representou um passo fundamental para a criação de diversas outras denominações evangélicas, contribuindo em muito para a diversidade e a liberdade religiosa no nosso país.

Nós brasileiros somos, por formação, um povo de fé. Sabemos respeitar e valorizar a religiosidade em suas mais diversas manifestações. E as diferentes matrizes culturais que nos formaram – também visíveis em nossas religiões – são um dos nossos maiores patrimônios nacionais.

Nossa Constituição garante a todos a profissão de sua fé de acordo com sua própria consciência, e nosso Estado é laico, não dando qualquer tipo de preferência a entidades religiosas em particular.

Essa liberdade religiosa ganhou ainda mais vida com o Código Civil Brasileiro, aprovado em 2003, que definiu claramente direitos e deveres para a constituição jurídica de templos e entidades religiosas, e simplificou os processos administrativos para sua abertura.

Tais mudanças foram apoiadas por nosso governo e respondem a um antigo e justo pleito das organizações religiosas, em especial das muitas denominações evangélicas, que sempre buscaram o suporte jurídico necessário para o seu funcionamento.

Sabemos que ainda existem alguns preconceitos herdados do passado, mas intensificamos o diálogo com a sociedade e adotamos ações educativas, buscando promover, cada vez mais, o convívio saudável e respeitoso entre todas as religiões. Por tudo isso, estou certo de que são poucos os países do mundo onde a liberdade religiosa é praticada com tanta intensidade como ocorre no nosso país.

E posso repetir o que o presidente Juscelino disse nesta mesma catedral há meio século, durante as comemorações do centenário da Igreja Presbiteriana do Brasil. Ele disse: em nosso país nunca se amordaçaram lábios que se abrem para a prece.

Minhas amigas e meus amigos,

Eu, assim como boa parte dos brasileiros e brasileiras, recebi desde criança os fundamentos da fé cristã, e nunca me afastei da religiosidade, que considero uma inesgotável fonte de paz, de conforto e de alimento para o espírito humano. Este não é, porém, o único laço que nos une. Compartilhamos os mesmos ideais pregados por Cristo há dois milênios e que continuam válidos até hoje. Acreditamos na solidariedade, e não no individualismo ganancioso. Sabemos que é preciso estender a mão amiga, principalmente aos mais pobres e desamparados, e buscamos sobretudo a paz – paz que só é plenamente alcançada quando existe a justiça social.

Assim, é natural que parte substancial das ações do governo se baseiem, primeiramente, em preceitos e ideais comuns às religiões, em especial ao Cristianismo. A começar pela nossa primeira prioridade, cuja bandeira levantamos ainda em 2003: dar pão para quem tem fome. As ações do programa Fome Zero levaram aos brasileiros mais carentes o sagrado direito à segurança alimentar, e hoje mais de 11 milhões e 400 mil famílias são beneficiadas.
Além disso, os segmentos mais necessitados de nossa população são beneficiários de uma série de políticas públicas que elevam a renda das famílias, devolvem a dignidade aos cidadãos e, sobretudo, lhes abrem oportunidades para um futuro melhor. Isso pode ser visto na valorização do salário mínimo, que beneficia sobretudo os trabalhadores de menor renda, assim como os aposentados e os pensionistas que dependem do Estado para sobreviver.
Também é visível no programa Territórios da Cidadania, que está presente nas 120 regiões rurais mais pobres de nosso país e articula uma série de ações para que as famílias que ali vivem não precisem deixar o campo e buscar um futuro incerto nas cidades.

Iniciativas como essas, somadas ao dinamismo de nossa economia, que gerou mais de 10 milhões de novos empregos a partir de 2003, fizeram com que 20 milhões de brasileiros deixassem a base de nossa pirâmide social e passassem a ter uma vida mais digna.

A verdade é que estamos conseguindo reduzir a desigualdade social entre os brasileiros, e nem mesmo a crise financeira internacional nos tirou dessa rotina virtuosa, pois a verdade é que no auge da crise mundial – de outubro de 2008 a junho de 2009 – mais de meio milhão de pessoas deixaram a linha da pobreza nas principais regiões metropolitanas do País, se compararmos com o período de outubro de 2007 a junho de 2008.

Da mesma forma, estamos conseguindo reduzir a desigualdade na Educação, investindo fortemente nas escolas públicas de todo o País, da creche à pós-graduação. Com o objetivo de melhorar a rede pública do ensino básico, criamos um piso salarial para os professores, que vale para todo o Brasil; reforçamos, em muito, a merenda escolar; e já equipamos 45 mil escolas com laboratórios de informática. Até 2010, chegaremos a 70 mil escolas, com um total de 813 mil computadores atendendo a 93% dos alunos da rede pública brasileira.

Da mesma forma, abrimos oportunidades para mais de 545 mil alunos de baixa renda entrarem nas universidades com bolsas do ProUni. Doze novas universidades federais já estão funcionando, assim como 104 novos campi. E, a partir de 2003, dobramos o número de vagas oferecidas na rede federal.

Tomei a liberdade de citar todas essas ações porque estou certo de que elas vão no mesmo sentido do trabalho social empreendido pelos presbiterianos de todo o Brasil, que seguiram a opção de Cristo ao voltar sua atenção aos pobres e necessitados.

Sempre admirei as obras sociais das igrejas, concretizadas em ações que vão da proteção às crianças sem lar aos cuidados às pessoas da terceira idade, e que estão presentes também nas escolas confessionais e em diversas outras iniciativas que abrem as portas para uma vida mais digna.

As igrejas evangélicas, em particular, merecem um profundo reconhecimento pelo seu trabalho com dependentes químicos. Estou falando de clínicas e centros de tratamento, presentes em todo o Brasil, que já salvaram a vida de milhares de jovens ameaçados pelas drogas e pela violência.

A grande verdade é que, embora o Estado seja laico, ele pode e deve trabalhar junto com as igrejas e entidades religiosas quando o objetivo é promover o bem comum. E é isso que vem ocorrendo, pois a presença nacional e a capilaridade das instituições religiosas lhes permite levar à população, por meio de convênios e parcerias, muitos dos benefícios das políticas públicas.

Desejo, portanto, que essas parcerias sejam cada vez mais ampliadas e aprofundadas, e agradeço a oportunidade de comemorar, com todos vocês, este grande dia para os presbiterianos e os cristãos em geral, de todo o Brasil.

Eu queria, antes de dar os parabéns à Igreja Presbiteriana do Brasil e a todos os seus seguidores, pedir a Deus que continue abençoando todos vocês neste caminho de construção de um reino de paz, justiça e amor na Terra.

Eu queria terminar dizendo duas coisas que eu vim para dizer, mas que não estão escritas aqui no meu discurso. Eu penso que tem duas coisas importantes que o dia de hoje nos obriga a fazer uma reflexão profunda. Imaginem se toda criança brasileira tivesse a oportunidade de ser educada a freqüentar uma igreja, qualquer que fosse a igreja. Mas que as crianças tivessem a oportunidade de, logo cedo, ter um aprendizado religioso, para que depois essa criança pudesse fazer a sua opção: se queria continuar ou se não queria continuar. Mesmo os pais que não são religiosos deveriam dar a oportunidade para essas crianças fazerem as suas opções, ao invés dos próprios pais ditarem as suas opções para os seus próprios filhos.

De uma coisa Sérgio, eu tenho convicção, pelo que eu vivi dos meus 9 anos na Igreja: nós teríamos menos violência, nós teríamos menos delinquentes, nós teríamos menos gente com propensão a entrar na criminalidade e nós teríamos muito mais jovens sendo criados de forma a constituírem essa nação de pessoas totalmente de bem.

Eu não conheço – não que não exista – mais deve ser tão insignificante, que eu não conheço nem um momento histórico em que a religião encaminhou uma nação à perdição, um bairro, uma vila, uma rua, ou uma cidade.

Na verdade, se todo mundo tivesse a oportunidade de ter essa chance de ter um encontro com a religião, que seria na verdade um encontro com Deus – seria, na verdade, um encontro com a sua iniciação religiosa -, eu penso que o mundo seria menos violento e o mundo seria muito mais de paz.

O que nós assistimos hoje no Brasil... ontem, Sérgio, eu cheguei em casa e estava vendo um filme chamado Amistad, que é a história do tráfico de escravos para as Américas. Aliás, é um filme antigo, mas extraordinário. Eu estava imaginando, se nós hoje ficássemos sentados na frente de uma televisão brasileira, a TV comum que nós temos e a TV a cabo que nós temos, se a gente ficasse contando da meia-noite de um dia, a meia-noite do outro dia durante 30 dias no mês, e a gente fosse contabilizar quantos filmes falam de integração familiar, quantos filmes falam de amor, quantos filmes falam de pais, a gente iria perceber que o percentual é infinitamente menor do que a quantidade de filmes que começam atirando, terminam atirando e, no meio, matam pessoas que a gente nem consegue entender porquê.

Se a gente fosse imaginar o que está acontecendo neste país ao longo de décadas, por que não dizer, de séculos, em que muito mais grave do que os momentos econômicos que este país viveu, muito mais do que os problemas sociais seculares que o Brasil viveu, tem um problema crônico que nós temos que dar a contribuição para resolver, que é a degradação da estrutura familiar deste país.

E aí nós temos que medir, precisamos parar com a hipocrisia neste país e precisamos discutir as coisas com a verdade absoluta com que precisam ser discutidas. Quantos momentos de bons ensinamentos nós temos na televisão, que passam todo santo dia, a nacional e a importada? Quantos momentos de bons ensinamentos nós temos? Seria importante que a gente fizesse essa aferição porque, sabe o que acontece, Sérgio? Se uma criança vê, das 7h da manhã à meia-noite, as pessoas andando com revólver para cá e para lá, as pessoas atirando, as pessoas fumando droga, as pessoas roubando carros, as pessoas... o que essa criança vai formar dentro de si? Alguém pode dizer: “Bom, o Lula está ficando muito conservador”. Eu não estou ficando conservador. Eu tenho cinco filhos e, graças a Deus, os meus cinco filhos – muito menos por mim, mas muito mais pela minha mulher – tiveram oportunidades que milhões de crianças deste país não têm.

Portanto, as igrejas jogam um papel extraordinário, os meios de comunicação jogam um papel extraordinário, os políticos jogam um papel extraordinário. Vamos ver os debates que estão acontecendo no nosso querido Senado, uma instituição, meu caro Crivella, tão importante para o garante da democracia do nosso país. Recentemente o nível de debate está abaixo da média de compreensão da nossa sociedade, porque são todas pessoas formadas, todas pessoas acima de 35 anos de idade, e todas pessoas que, em vez de prestar atenção ao que a televisão está transmitindo, e que poderiam agir de forma mais civilizada, as pessoas se agridem de tal modo, que mesmo um cidadão que gosta muito de política fica sem compreender o que está acontecendo.

Eu digo isso porque estou a um ano e quatro meses de terminar o meu mandato, e eu tenho certeza de que eu só cheguei à Presidência da República por obra de Deus. Não estava previsto em nenhum livro de nenhum cientista político brasileiro que um torneiro mecânico, com quatro anos de escolaridade, pudesse encontrar um vice, também com quatro anos de escolaridade, e os dois chegarem à Presidência da República. E, ainda, a junção de um grande empresário e um sindicalista. Isso não estava escrito, a não ser uma obra de Deus.

Isso fez com que nós fizéssemos uma opção clara. Eu tenho dito para todo mundo: eu, embora seja presidente de todos, nenhum de vocês pode sair com dúvida de que eu tenho um lado neste país, e o meu lado são os pobres, que é para quem o Estado precisa governar, é para quem o Estado tem que se voltar.

Vocês acompanham o preconceito contra o Bolsa Família, o preconceito de pessoas que acham que nós estamos ajudando os pobres a não quererem trabalhar, de pessoas que acham que nós estamos desmotivando o pobre de trabalhar. E só pode pensar assim uma pessoa que não conhece um pobre. Só pode pensar que R$ 85 ou R$ 100 faz uma pessoa não querer trabalhar, quem pode dar R$ 100 de gorjeta depois de tomar meia dúzia de uísques. Uma mulher pobre que pega R$ 50 ou R$ 100, ela transforma aquilo em uma coisa sagrada chamada alimento para os seus filhos. É por isso que nós damos o cartão na mão das mulheres, porque nós sabemos que entre nós e as mulheres, as mulheres, na maioria das vezes, são muito mais responsáveis para cuidar da família do que os homens.

Eu estou jogando contra o meu time, mas essa é a verdade: as mulheres têm mais apego, têm mais chamego com a família do que nós, os homens, porque estamos sempre dando uma desculpa de que temos uma reunião a mais, um compromisso a mais, e quem fica em casa é exatamente a nossa companheira, e alguns acham e ainda perguntam: “A senhora trabalha?” “Não, não trabalho”. Porque o conceito de trabalhar é apenas a subordinação a um patrão quando, na verdade, não tem nada mais chato do que o trabalho de limpar a casa todos os dias, limpar banheiro, dar banho em criança. Não tem trabalho mais chato. Era importante que cada homem fizesse um pouco para saber... e olha que acabou o escovão, e olha que acabou o ferro elétrico a carvão [ferro a carvão], senão os homens iam ver o que era o trabalho de uma mulher.

Bem, o dado concreto é que, se nós não levarmos em conta que nós precisamos passar por um processo de reeducação – e eu acho que a religião tem muito a ver com isso –, eu penso que nós passaremos pela Terra sem cumprir com o compromisso total que nós temos a obrigação de cumprir. Se vocês, brasileiros que estão visitando o Rio de Janeiro, tivessem a oportunidade de visitar o Rio de Janeiro hoje – não a Avenida Atlântica ou Copacabana – mas subissem aquele morro que até ontem a televisão mostrava “insubível”, como diria o Magri, “insubível”, ou Manguinhos, que tinha o nome simbólico de “Faixa de Gaza”.

Eu queria que vocês pudessem subir hoje lá para vocês verem que nós descobrimos, Crivella, tardiamente, depois de um século, nós descobrimos que a única chance que nós temos de fazer essas crianças se transformarem em homens e mulheres de bem e diminuirmos a violência... não é apenas a polícia que tem um papel importante, mas é a presença do Estado, do poder público, da prefeitura, do governo do estado, do governo federal, levando para lá o que o Estado oferece para os ricos, porque as universidades públicas de qualidade são frequentadas por quem não precisa de escola pública, e as pagas são frequentadas por quem não pode pagar.

Esse é o paradoxo do Brasil que o ProUni... e vocês, que conhecem bem, mais do que nós, o Mackenzie, sabem quantos alunos pobres da periferia... São 545 mil jovens, dos quais 40% negros, muito mais do que a cota, 40% negros, e vocês estão lembrados do que dizia a imprensa neste país, quando a gente criou o ProUni, que nós iríamos nivelar o ensino por baixo, porque estávamos colocando pobres na escola. Como Deus escreve certo por linhas tortas, passou apenas dois anos para que no primeiro teste que fosse feito, os melhores alunos, em 15 áreas, fossem exatamente esses pobres da periferia que tiveram uma oportunidade.

Portanto, eu quero dizer que fico feliz de saber que, depois de 50 anos, eu sou o primeiro presidente da República a vir aqui. Não vou pedir muito para Deus, para que daqui a 50 anos eu volte aqui, porque certamente estarei aqui espiritualmente, certamente.

Mas, olhem, eu vou dizer uma coisa para vocês, de coração: este país encontrou o seu caminho. Todo mundo sabe que o País tem mudado de forma extraordinária. Quem viaja para o exterior ou quem vive no exterior sabe que o Brasil de hoje é um Brasil muito mais importante do que o Brasil de outro dia atrás. Tem uma coisa importante, também, na construção de uma nação, que é a questão da autoestima. Quando nós nos trocamos de manhã para ir trabalhar, a gente não tem que ficar colocando o terno, achando “o que as pessoas vão ver do nosso terno quando a gente chegar no escritório? O que as pessoas vão pensar da nossa gravata? O que as pessoas vão pensar do nosso sapato?” Você, em primeiro lugar, tem que gostar das coisas que você está fazendo.

Portanto, uma nação tem que gostar de si. Houve um tempo em que o Brasil se tratava como se fosse de segunda classe, ou seja, nós nos deparávamos contra americanos e europeus, como se nós fôssemos cidadãos inferiores. E nós não estamos fazendo nenhum milagre. Nós apenas estamos dizendo: nós somos iguais, nós respeitamos e queremos ser respeitados. Nos tratem em igualdade de condições, que é o máximo que nós desejamos.

E hoje o Brasil vive uma situação privilegiada. A verdade é que nós ainda estamos longe de resolver todos os problemas, mas a verdade é que há muito tempo o Brasil não tinha a expectativa que tem hoje.

Qual foi o milagre que nós fizemos? O milagre da confiança, o milagre da oportunidade. E isso, vale lembrar uma coisa que eu carrego na minha alma desde o tempo de dirigente sindical. Não é possível a gente fazer nada neste país se a gente pensar apenas com a inteligência da nossa cabeça e a gente não colocar o sentimento do nosso coração para governar esse País. É governando com o coração que a gente lembra daqueles que não podem fazer passeata, daqueles que não podem protestar, daqueles que estão distantes dos centros de decisão. É colocando o coração na frente que a gente lembra dos milhões e milhões de brasileiros que estão precisando.

Quando nós fazemos um programa chamado Luz para Todos, que eu muitas vezes acho que nem todo mundo que mora na cidade compreende o significado de um Programa desses, porque já nasceram com a luz elétrica do hospital, já foram para casa com a luz elétrica. Portanto, só dá valor à luz quando falta a luz, que está passando a novela. Ai, por 15 minutos ficam todos nervosos. Mas não têm noção do que é uma pessoa que nasceu e criou seus filhos à base do candeeiro. Não têm noção do que é uma pessoa costurar o botão de uma camisa sob a luz de um candeeiro. Não têm noção do que é uma pessoa temperar o feijão de cada dia sob a luz de um candeeiro, e o fogão de lenha enfumaçando toda a casa.

Quando a gente vai nesses lugares, aperta um botão e liga uma luz, nós estamos tirando a pessoa do século XVIII para o século XIX, em segundos. E o que significou o programa Luz para Todos? Aliás, o ministro Lobão fez uma boa aparição na televisão na semana passada. Por conta de 2 milhões de residências em que nós ligamos a energia elétrica no interior deste pais, nesses 2 milhões de casas as pessoas compraram 1 milhão 578 mil televisores, 1 milhão 420 mil geladeiras, 978 aparelhos de som. Então, vocês vejam que uma luz elétrica que nós colocamos no interior da Amazônia, no interior do Piauí ou no interior do Rio de Janeiro fez crescer as fábricas do Rio de Janeiro, de São Paulo, fez crescer as fábricas do Amazonas e fez com que os benefícios produzidos pela humanidade chegassem a todos. Quer coisa mais divina e quer obra de Deus mais poderosa do que essa?

Portanto meus amigos, estar aqui hoje com vocês é quase como lavar a minha alma. É aquele dia em que a gente chega no gabinete, Sérgio, e a gente fala: valeu a pena viver algumas horas o meu cristianismo, viver a minha religiosidade, porque o Brasil precisa muito disso.

Muito obrigado, que Deus abençoe todos vocês pelos 150 anos."

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